REGIÃO
Junho 16, 2011 - 04:17
Cury adia votação de abono para esvaziar greve em UBS
Cláudio CapuchoPrefeito de São José pediu à Câmara retirada de projeto de lei que reajusta abono salarial dos médicos de R$ 600 para R$ 1.000 por mês; em outra frente, obteve liminar restringindo possível paralisação de hoje
Beatriz RosaSão José dos Campos
Em uma tentativa de esvaziar a paralisação dos médicos da rede hoje, o prefeito de São José Eduardo Cury (PSDB) recuou e retirou da pauta da Câmara o projeto de lei que concedia um abono de R$ 400 aos médicos para retomar as negociações com a categoria.
Em outra ofensiva contra a paralisação, a prefeitura acionou a Justiça para garantir 100% do atendimento de urgência emergência e 70% das consultas nas UBS.
A liminar expedida pela 2ª Vara da Fazenda Pública na última terça-feira, também impede os grevistas de cercear a entrada dos servidores que não aderiram ao movimento e de usuários.
Ontem, o Sindicato dos Servidores e a Comissão de Médicos garantiram o atendimento 100% no setor de urgência-emergência, mas informaram que a greve de 24 horas nas UBS (Unidades Básicas de Saúde) está mantida. Todas as consultas programadas entre as 7h de hoje e as 7h de sexta-feira devem ser reagendadas.
Greve. Membro da Comissão de médicos, o médico Paulo Roitberg, afirmou que apesar da ofensiva governista a greve está mantida.
“Desconheço essa medida cautelar. Não fomos notificados, mas manteremos 100% do setor de urgência-emergência.”
Segundo ele, UBS não é atendimento emergencial. “Manter 70% das consultas é cercear o direito dos médicos de se manifestar.”
Segundo Roitberg, pela manhã, sindicalistas e médicos irão panfletar em frente ao Paço. As 14h está agendado um protesto junino seguido de participação na sessão de Câmara. A assembleia será realizada após a sessão.
Para Roitberg, a retirada do projeto da pauta é um bom sinal. “É um caminho sensato para voltarmos a discutir o piso da categoria.”
A categoria encaminhou ontem à Câmara um pacote com seis emendas (veja na arte), entre elas a que incorpora o valor do abono no salário base.
Negociação. Membro da Comissão de Saúde, o vereador Luiz Mota (DEM), acredita que a retirada do projeto da pauta é um aceno de que o governo quer retomar as negociações. “É uma sinalização positiva para retomar o diálogo e evitar a greve.”
Segundo ele, hoje o secretário de saúde, Danilo Stanzani se reúne com a Comissão de Saúde para discutir mudanças no projeto governista.
“Os médicos também recuaram. Eles abriram mão dos 100% de aumento e a incorporação do abono pode ser discutida, assim como as demais emendas.”
O vereador Tonhão Dutra (PT) considerou a remoção do projeto um ato falho do prefeito. “Se o prefeito quer negociar porque não inclui as emendas no projeto e acelera a votação. Quem sofre com essa indefinição é a população.”
Silêncio. Por nota, a prefeitura informou que retirou a proposta porque ela não foi bem recebida pelos médicos e que as secretárias de Administração e Saúde irão manter o diálogo com a categoria. Convidado para comparecer na Assembleia dos médicos, o secretário de Saúde, Danilo Stanzani afirmou que não participará do encontro.
Sindicato prepara onda de protestosSão José dos Campos
O Sindicato dos Servidores de São José criticou a ação do prefeito Eduardo Cury (PSDB) de acionar a Justiça para impedir a greve.
“É uma tentativa de esvaziar o movimento que não dará certo e que só serve para engrossar o movimento”, disse a diretora do Sindicato dos Servidores Zelita Ramos.
Segundo ela, o sindicato não foi notificado da decisão judicial, mas já havia orientado os médicos a manter o atendimento nos hospitais e nas unidades de atendimento emergencial, além das determinações judiciais.
“É um desrespeito o prefeito querer impedir a manifestação pacifica dos médicos.”
Protestos. Hoje, a partir das 14h o sindicato em conjunto com a Comissão dos Médicos fará um ato de protesto em frente ao Paço.
Em seguida, sindicalistas irão iniciar um acampamento em frente ao Paço, por tempo indeterminado, como forma de protesto contra o Governo.
Também estão programados protestos dias 22 e 30 de junho com doação de sangue e distribuição de bananas.

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